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Duas cidades estão em ranking de violência contra deficientes

201512218308Cidades do Grande ABC figuram em ranking nada satisfatório: São Bernardo e Santo André estão entre os dez municípios paulistas com mais ocorrências registradas de violência contra a pessoa com deficiência. Em período de 15 meses – de maio de 2014 a agosto de 2015 –, a primeira contabilizou 348 casos e a segunda, 343 denúncias. Nas sete cidades, foram 1.134 registros.

Os dados são da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que divulgou neste mês números inéditos a partir da inserção pioneira de um campo específico para detectar esse fenômeno nos boletins de ocorrência pela polícia paulista e que fazem parte dos registros da Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência, instalada na Capital e a única existente em São Paulo. O equipamento foi fundado em junho de 2014 e reúne todos os dados sobre violência contra esse público.

Nos meses que se seguiram, as duas cidades não conseguiram deixar a lista. Segundo o coordenador de programas da Pasta estadual, Luiz Carlos Lopes, em setembro Santo André ficou em quinto lugar, com 21 casos, e São Bernardo na oitava colocação, com 17. Em outubro, o município são-bernardense passou para a quarta posição, com 27 queixas, e o andreense ocupou a oitava, com 18. De maio de 2014 a outubro deste ano, a Capital lidera, com 6.433 ocorrências de violência contra pessoas com deficiência. Em todo o Estado, no mesmo período, foram mais de 24 mil casos.

Das vítimas da região, 47,65% são deficientes físicos; 19,74% possuem deficiência intelectual; 17,39%, auditiva; 9,48%, visual e 5,74% têm múltiplas deficiências. A maior parte é de homens (55,13%). Ameaça, maus-tratos e injúrias são os principais problemas denunciados.

Estatística feita pela secretaria mostra que em 72% das vezes o agressor pertence ao núcleo familiar. “Quando a sociedade não oferece suporte e serviços adequados, a frustração de quem cuida da pessoa com deficiência é muito grande e pode gerar episódios de violência, causados por estresse. A necessidade de cuidar de alguém o tempo todo cria vínculos muito fortes, que se tornam de poder”, fala o coordenador de programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência Luiz Carlos Lopes.

“A violência está relacionada ao que chamamos de assimetria de poder: um grupo mais forte e poderoso e outro menos. Uma pessoa que tem qualquer tipo de deficiência tem maior chance de ser vitimizada porque é mais vulnerável ou dependente”, diz a professora titular do departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos e coordenadora do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência, Lúcia Cavalcante de Albuquerque Williams.

Por isso, há a necessidade de apoiar os cuidadores, avalia o psicólogo Fabiano Puhlmann, que ficou tetraplégico após acidente em uma piscina. “Cuidar da saúde mental e física do cuidador familiar diminuiria a situação de violência contra pessoas com deficiência.”

“Nos últimos dez anos houve avanços enormes, mas ainda há lacunas em termos de serviços, apoio para os familiares, inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, na educação, pois, quanto mais autônoma a pessoa se tornar, menos alvo da violência ela vai ser”, salienta Lopes.

Ações visam fortalecer laços com a família para coibir agressão

As prefeituras da região afirmam que desenvolvem trabalho de apoio aos familiares de pessoas com deficiência para melhorar a relação entre eles. Em Santo André, técnicos do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) fazem orientações sobre os direitos das pessoas com deficiência, desenvolvem ações preventivas e articulam a rede de atendimento voltada para esta população, como defensorias públicas.

Em São Bernardo, as pessoas com deficiência e seus familiares são referenciadas e acompanhadas pelo Cras (Centro de Referência de Assistência Social).

O Creas de Diadema realiza o acompanhamento psicossocial aos deficientes e suas famílias, na perspectiva de superação da violência vivenciada, com articulações intersetoriais e encaminhamentos objetivando o fortalecimento da capacidade protetiva familiar.

Em São Caetano, o Projeto Convivendo Bem, da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência ou Mobilidade Reduzida, faz reuniões semanais de autoajuda às pessoas com deficiência e familiares.

Em Ribeirão Pires, quem desempenha trabalho nesse sentido é a Apraespi (Associação de Prevenção, Atendimento Especializado e Inclusão da Pessoa com Deficiência). “Mantemos o Espaço Família, que dispõe de psicólogos e assistentes sociais”, fala a superintendente Lair Moura.

Mauá foca na autonomia dos deficientes, promovendo o Dia D, por meio da Secretaria de Trabalho e Renda, viabilizando a entrada no mercado de trabalho.

Especialistas defendem mais delegacias especializadas

Com apenas uma Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência em todo o Estado, especialistas ressaltam a importância de mais equipamentos como esse, que possui, por exemplo, equipe com intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e técnico especializado em tecnologia auditiva para adaptar documentos. Embora não atenda somente os casos que aparecem na porta, mas também dê orientação para outras delegacias que apresentam denúncias de vítimas com deficiência, a estrutura que disponibiliza tem melhores condições de atendimento a esse público.

“A delegacia funciona na região central e hoje quase 30% dos usuários vêm da Zona Leste, 23% da Zona Sul e mais de 15% dos municípios da Grande São Paulo. Isso demonstra que há demanda em outras regiões”, fala o coordenador de programas da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Luiz Carlos Lopes.

“Uma delegacia especial aumenta a chance de notificação, pois a pessoa se sente valorizada, compreendida e respeitada. No caso da delegacia de São Paulo, a modalidade mais frequente é de deficientes auditivos, pois há tradutores de Libras. Como uma pessoa com surdez poderia, por conta própria, ir a uma delegacia sem um tradutor de Libras? Ela teria que ir com o familiar como intérprete que, muitas vezes, é parte do problema”, avalia a professora titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos e coordenadora do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência, Lúcia Cavalcante de Albuquerque Williams.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública do Estado) afirmou que atualmente, com base na experiência acumulada neste período, a Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência “está finalizando uma série de protocolos de atendimento para orientar o trabalho das demais delegacias do Estado e para balizar a atuação de outras unidades similares que possam ser criadas no futuro.” A Pasta disse ainda que o equipamento, em parceria com a Acadepol (Academia de Polícia Civil), já capacitou mais de 500 policiais sobre as especificidades da violência e a melhor maneira de atender casos contra pessoas com deficiência.

Fonte: www.dgabc.com.br

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