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Indústria e design têm desafio em atender pessoas com deficiência

deficientes-fisicos Quarenta e seis milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, seja física, intelectual, auditiva, visual ou múltipla. O que o design e a indústria têm a ver com isso?

Para o gerente executivo da Associação Brasileira das Indústrias e Revendedoras de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência (Abridef), Tarcísio Bahia, esse número “por si só já torna esse mercado atraente: pelo volume e potencial de crescimento dos consumidores PcD [pessoa com deficiência]”.

Segundo Bahia, o setor movimenta mais de R$ 5,5 bilhões por ano e cresce mais de dois dígitos todos os anos desde 2008. “Independentemente de crise, quem possui uma deficiência necessita de produtos e serviços específicos para seu dia a dia. Isso faz com que esse seja um segmento promissor sempre”, avalia o gerente executivo da Abridef. Para Bahia, o governo poderia incentivar mais o setor. “Se limitam a algumas isenções de impostos na fabricação ou venda de alguns itens e também isenção em algumas importações”.

As diferenças de um público heterogêneo se contrapõem com a produção em massa da indústria. No entanto, se preocupar com os nichos pode gerar lucro para as empresas. Para o designer e professor da UDESC Celio Teodorico, “as especificidades não devem ser vistas como um obstáculo, e sim como uma oportunidade em meio a essa realidade. É uma questão de foco, encarando como um negócio. São nichos de mercado que estão carentes de bons produtos e com preços acessíveis”. O lado social também é levantado por Teodorico. “É um negócio rentável, afinal de contas significa produção e atendimento em diversas frentes, ou nichos específicos de deficiências. No entanto, não deveríamos enxergar desse modo. É uma questão social; programas poderiam ser montados para atender a essa demanda, envolvendo o poder público, a indústria, profissionais designers e a universidade com projetos permanentes”.

Algumas universidades e escolas técnicas se propõem a criar protótipos de produtos que atendam os deficientes. No entanto, as ideias, em sua maioria, não ganham adesão para produção em larga escala. “Muitas vezes, vemos projetos extremamente significativos e que poderiam contribuir em auxílio a pessoas, tais como, crianças, jovens e adultos de forma mais efetiva, e no final esses projetos se perdem em si mesmo ou em um protótipo. É preciso que a distância entre a universidade e a indústria deixe de existir e que haja um compromisso maior de ambas as partes. O design sozinho não vai muito longe, é preciso que o seu potencial seja enxergado pelo empresariado e o designer também deve trabalhar para ser notado. A interação entre a indústria e o design é uma ação inerente ao processo de desenvolvimento de produtos e serviços, e o design pode contribuir muito para melhorar a qualidade e interações das soluções ofertadas para as pessoas”.

Para o consultor em gestão da inovação Roger Pellizzoni, “o desafio da indústria é encontrar formas de gerar negócios a partir das demandas das pessoas, de todos os tipos, desde as demandas físicas, sociais, emocionais… para todos”. Para Pellizzoni, a impressão em 3D, por exemplo, pode contribuir produzindo peças únicas, com rapidez e precisão. “A indústria passará, então, a preocupar-se em conhecer mais detalhes de seus clientes, não mais apenas faixa etária, ou grupo social. Não serão mais ‘públicos-alvo’, porque todos serão clientes potenciais”.

O assunto tem sido debatido na Bienal Brasileira de Design, que acontece em Florianópolis, até o dia 12 de julho. O tema central do evento é “Design para todos”. Segundo o curador Freddy Van Camp, “é importante que as empresas percebam que há um mercado substancial para atender necessidades específicas”. Para o designer, a atenção com todos os públicos geraria lucro.

“A indústria não faz pesquisa de nicho e poderia ganhar mais dinheiro”, afirma.

Fonte: sidneyrezende.com

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