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Cadeirante venezuelano quer dar volta ao mundo

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Ele já viajou a 115 países. Em Brasília, quer falar com a presidente Dilma Rousseff para pedir acessibilidade aos deficientes físicos

Provar que é possível viajar o mundo em uma cadeira de rodas. Esse é o objetivo do venezuelano Ismael Morales Buenaño, 52 anos, que desembarcou em Brasília, na manhã desta segunda-feira (1º), na Rodoviária Interestadual da cidade. O viajante, que estava em Recife antes de chegar à capital federal, já passou por 115 países e afirma ter percorrido mais de um milhão de quilômetros. Ele está há seis anos na estrada.

“Quero ser a primeira pessoa com deficiência a viajar o mundo inteiro. Lutando pelos direitos dos cadeirantes em todos os lugares que eu passar”, explica, com altivez, Morales. Em Brasília, onde vai ficar pelos próximos três dias – antes de seguir ao Rio de Janeiro -, o venezuelano diz ter um objetivo especial.

“Desejo falar com as autoridades do Brasil para exigir obras de acessibilidade e ações de inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais. Tenho uma série de projetos para apresentar. Quero falar com a presidente Dilma aqui em Brasília”, conta Morales. “Um país nunca será verdadeiramente turístico enquanto houver barreiras para deficientes”, completa.

Sonhos e Guinness

Além de falar com a governante brasileira, o aventureiro tem outros objetivos em solo brasileiro. “Sempre quis conhecer o rei Pelé. Soube que está hospitalizado, mas se Deus quiser ele vai se recuperar logo e vou conseguir pegar um autógrafo. Também tenho o sonho de conhecer Foz do Iguaçu”, revela Morales.

No rol dos países que o venezuelano já visitou sobre o quadriciclo elétrico, estão todos da América do Sul, França, Itália, Israel, Bélgica e Inglaterra, entre outros. O viajante carrega mais de 300 fotografias que ilustram a jornada.

“Preciso conhecer ainda alguns países da Ásia e do Oriente Médio. Depois disso, vou mandar minha história para o Guinness (livro dos recordes)”, diz Morales, com um sorriso de uma orelha à outra.

Apoio

O dinheiro para as viagens de Ismael Morales vem de empresários venezuelanos e de pessoas que se sensibilizam com a causa dele. O aventureiro viaja sempre sozinho e se hospeda na casa de amigos, outros portadores de necessidades especiais, conterrâneos e de pessoas que conhece nas cidades que visita.

Agora, o viajante busca recursos para pagar o conserto do motor do quadriciclo elétrico, que estragou durante a passagem por Pernambuco. Com a bateria totalmente carregada, o equipamento tem 100 km de autonomia e chega a até 25 km/h de velocidade. As doações podem ser feitas através da embaixada venezuelana em Brasília.

A família de Morales vive na ilha de Margarita, na Venezuela, cidade natal do aventureiro. O viajante não nega que sente muitas saudades de casa, mas “a luta em prol das pessoas com deficiências é maior”, garante.

Doença

Ismael Morales foi diagnosticado com paralisia infantil aos cinco anos de idade. Em decorrência do problema de saúde, ele perdeu parte dos movimentos das pernas. Ainda assim, o venezuelano chegou a ser atleta paralímpico de caratê.

Durante a juventude, porém, Morales foi vítima de um assalto na Venezuela e foi atingido por dois tiros. Desde então, nunca mais voltou a andar. Quando se viu em uma cadeira de rodas, decidiu viajar o mundo em defesa dos direitos dos portadores de necessidades especiais.

Fonte: Jornal de Brasília

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