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Menino começa a andar após o surfe e ganha terapia com roupa da Nasa

paralisia-cerebral-infantilO menino Raphael Nascimento dos Santos, que foi diagnosticado com paralisia cerebral, surpreendeu muitos brasileiros quando conseguiu andar após começar a praticar aulas de surfe em Santos, no litoral de São Paulo. Depois de ser um exemplo de superação, ele ganhou um novo tratamento de alta tecnologia que utiliza uma veste especial conhecida como ‘roupa da Nasa’. O menino terá mais força, resistência, coordenação e equilíbrio para, quem sabe, pegar onda em pé nas praias santistas.

Após conhecer o caso de Raphael, a advogada e dona da clínica Therapy Center, Gislaene Martins Fernandes, que mora em Araçatuba, ligou para o professor e o coordenador da Escolinha de Surf, Cisco Araña. Ela ofereceu para o menino a terapia conhecida como Método TheraSuit, que seria aplicada de forma gratuita na clínica dela. “É um trabalho caríssimo. Só através de uma doação o Rapha conseguiria fazer isso”, fala Cisco. O professor conversou com Fabiana dos Santos, mãe de Raphael, que concordou em levar o menino para fazer o novo tratamento.

O Método Therasuit é um programa de fisioterapia intensiva, idealizado e patenteado na cidade de Michigan, nos Estados Unidos, por um casal de fisioterapeutas que são pais de uma criança com paralisia cerebral. O método utiliza uma roupa criada por médicos da NASA, em 1971, composta por uma série de cordas elásticas, para resistir aos movimentos realizados pelos astronautas e imitar os efeitos da gravidade.

Os pesquisadores notavam que ao retornarem do espaço, os astronautas apresentavam um alto índice de fraqueza muscular e fratura e aqueles que não faziam o uso da veste, apresentavam instabilidade postural semelhante ao das crianças com paralisia cerebral. Por isso, em 1992, a roupa foi adaptada e passou a ser usada no tratamento para a paralisia cerebral e outros distúrbios neurológicos. Na fisioterapia, o paciente faz repetições intensas de exercícios com a roupa e vários outros equipamentos para aprender a adquirir uma nova habilidade motora. O treinamento é feito de forma individual e visa o ganho de força, funcionalidade, resistência, coordenação e equilíbrio.

Gislaene montou a clínica para proporcionar o tratamento ao filho Mauricio, de 9 anos, que tem paralisia cerebral. “Fiz várias pesquisas de tratamento. Em São Paulo, tinha uma fila de espera de um ano, mesmo o tratamento sendo caro. Eu resolvi montar uma clínica e trazer os profissionais de São Paulo. Comprei todo o equipamento. Junto com a clínica eu montei uma associação. Prestamos serviços para crianças carentes”, explica ela.

Assim como as outras crianças, Raphael teve que fazer vários exames para se certificar que estava apto para receber o método. No dia 7 de setembro, a Secretaria Municipal de Saúde disponibilizou o transporte para que Raphael e Fabiana fossem para Araçatuba. Na clínica, o menino passou por uma avaliação específica para a identificação dos reais déficits dele e deu início ao tratamento que é acompanhado pela fisioterapeuta Karina Goulart e a terapeuta ocupacional Cintia Vieira. Elas elaboraram um programa intensivo, individual e específico, com seções diárias. “O protocolo do tratamento são quatro semanas, 60 horas, 3 horas por dia, com intervalo. Esse tratamento é feito de forma intensa e tem que ter uma pausa de 3 ou 4 meses por causa do desgaste da criança. É como se estivesse fazendo uma academia, é intensivo. Depois das quatro semanas, pode repetir só depois de três ou quatro meses”, explica Gislaene.

Segundo a dona da clínica, que foi aberta neste ano, quatro crianças já passaram pelo mesmo tratamento de Rapha, que custa R$ 11 mil. Se os pais da criança não puderem custear o método, Gislaene aconselha uma medida judicial. “As pessoas podem entrar com ações judiciais. O Estado ou a prefeitura que pagam”, diz. Ela garante que o método dá resultados positivos à criança, assim como foi ao seu filho. “Cada criança é uma resposta. Os pais gostaram muito, todos tiveram melhoras dentro das possibilidades. Um menino de dois anos conseguiu andar”, conta.

Já a mãe de Raphael considera a empresária mais um anjo na vida de Raphael. Ela está radiante com a oportunidade de o filho ter acesso a esse tratamento que o ajudará a ter uma qualidade de vida melhor. “Ela falou que quando ele voltar estará 99% melhor. Quero ver o meu filho andar, quero ver meu filho bem. Na fisioterapia ele alonga, no surf além do alongamento, relaxa e dá equilíbrio”, diz a mãe de Raphael.

Além disso, Cisco Aranã acredita que o menino conseguirá melhorar o desempenho também no surf. “A gente acha que pode trazer o movimento mais paralelo do pé, o equilíbrio, a lateralidade, a suspensão vai trazer a amplitude do movimento”, comenta. E a mãe do menino sonha com mais uma conquista de Raphael dentro do mar. “Na volta do tratamento ele vai ser o primeiro a ficar de pé na prancha. Se acontecer, vou guardar isso para o resto da minha vida”, diz.

História de Raphael

Raphael foi diagnosticado com paralisia cerebral com poucos anos de vida. A mãe do menino passou a levá-lo à Casa da Esperança para receber tratamento específico. O garoto foi crescendo, mas não conseguia andar nem falar, só engatinhava e ficava sentado. Aos 9 anos, Raphael passou por uma cirurgia nas pernas e ficou em uma cadeira de rodas.

Mesmo com medo, a mãe resolveu levar o menino para a Escola Radical, em Santos, a primeira pública de surfe no país, coordenada por Cisco Araña. No primeiro dia de aula, Raphael não saía da cadeira de rodas. A intenção era fazer com que o garoto soltasse mais as pernas e também sentisse a liberdade de uma vida em meio à natureza. Depois de uma semana de surfe, as pernas de Rapha começaram a dobrar novamente e ele voltou a engatinhar. Após 8 meses de aulas, a mãe conta que ele estava em pé e deu 8 passos. Todos os profissionais afirmavam que ele nunca iria andar. Agora, Rapha largou a cadeira de rodas.

Para a mãe do garoto, o esporte foi responsável pela melhora dele. Já surfista Cisco Araña acredita que a evolução do aluno foi resultado de um trabalho feito com amor. Ele conta que Rapha progrediu muito, tanto no aspecto físico quanto mental. E acredita que o esporte, principalmente o surfe, realmente pode mudar vidas.

Fonte: G1

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