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Preconceito contra ‘Down’ ainda é obstáculo, dizem atores de ‘Colegas’

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Protagonistas de “Colegas”, longa-metragem brasileiro estrelado por atores com síndrome de Down, Ariel Goldenberg, de 33 anos, e Rita Pokk, de 34, participaram da 14ª edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto (SP). Durante o encontro com fãs, os dois contaram detalhes das gravações do filme e da vida particular, já que estão casados há 10 anos. Sobre as dificuldades que enfrentam no dia a dia, disparam: o maior problema ainda é o preconceito. “As pessoas não nos entendem e nos olham de um jeito diferente”, disse Rita.

A atriz contou que a mãe teve dificuldade para conseguir matriculá-la em uma escola regular de ensino. Por isso, Rita acabou sendo alfabetizada em casa. “Várias vezes fecharam as portas na cara da minha mãe. Não me deixaram nem fazer natação”, afirmou a jovem atriz, que depois acabou concluindo os estudos na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) “Que preconceito é esse em que a gente vive?”

Situações semelhantes foram vividas por Goldenberg, relembrando que desde criança sonhava em ser ator e era incentivado pela família a ter uma vida normal. Encorajado pela mãe, se matriculou em uma escola de teatro e pôde assistir aos bastidores de grandes produções. “Eu fui me aperfeiçoando, até que me chamaram para fazer peças amadoras. Já interpretei até textos de Shakespeare, como Romeu e Julieta”, disse orgulhoso.

Relembrando outras passagens em que teve o apoio incondicional da mãe, Goldenberg afirmou que os pais cujos filhos tem Síndrome de Down devem lutar para que eles se desenvolvam, sem fazer diferenças. “Se o filho fizer algo de errado, tem que apontar o erro, tem que mostrar o que é certo, tem que lutar. Apoio e respeito são muito importantes.”

Vida em casal

Em meio a beijos, carinhos e elogios ao trabalho um do outro, o casal contou que se conheceu em um site de relacionamentos, em 2000. O primeiro perfil foi criado pelo irmão de Rita com o objetivo de encontrar um novo amor para a mãe deles, mas foi a atriz quem acabou tirou a “sorte grande”.

Ariel encontrou o perfil dela no site, mandou uma mensagem e os dois começaram a conversar em uma sala de bate-papo. “Ela é uma alma pura”, conta. Foram quatro anos de namoro até o tão sonhado casamento, celebrado nos rituais judaícos, religão da família dele, e também na igreja católica, crença dos pais de Rita.

Colegas

Dirigido por Marcelo Galvão, o filme “Colegas” foi lançado no ano passado, mas começou a ser produzido em 2010. A preparação dos atores, no entanto, teve início há mais tempo, em 2008, quando todos passaram por laboratórios semanais com o objetivo de que o grupo ficasse à vontade em frente às câmeras. “Foi difícil ter que acordar de madrugada, ou muito cedo, às vezes no frio, para poder gravar. Mas esse é meu trabalho, eu gosto de fazer isso. É a vida de ator”, afirma Goldenberg.

O filme é uma aventura contada através de três amigos com Síndrome de Down, apaixonados por cinema e que trabalham na videoteca do instituto educaional onde vivem. Um dia, inspirados pela história de “Thelma & Louise” – longa de 1991 sobre duas mulheres que resolvem abandonar a vida que levavam para se aventurar pelos Estados Unidos -, os jovens resolvem fugir com o carro do jardineiro em busca de seus sonhos: ver o mar, casar e voar.

“Colegas” já foi exibido em vários países, como Japão, Itália e Canadá, em festivais internacionais. Com o reconhecimento, vieram os prêmios, como o de melhor ator para Ariel e diretor para Galvão, no “Brazilian Film & TV Festival (Brafftv)”, de Toronto.

Mas Goldenberg e Rita fazem questão de dizer que a carreira de ambos não terminou com o sucesso do filme. O ator já começou a escrever a cinebiografia do cantor e compositor paulista Adoniran Barbosa e pensa em produzí-la para o cinema. “Gosto muito da história dele e das músicas. São fascinantes.”

Fonte: G1

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