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Entre tantas dúvidas, a certeza da felicidade de ser mãe

sindrome-de-down-bebeTendo como característica visível a determinação, a mãe de primeira viagem Aline Aparecida Danielski, 33 anos, vive a alegria da maternidade, mesmo em meio a turbulências. Aline e o marido Fabrício, há quatro meses receberam o pequeno Murilo e, para isso, escolheram o parto normal e humanizado. Murilo é portador de Síndrome de Down e do amor de todos que o rodeiam.

Ao definir a experiência como a melhor de sua vida, Aline demonstra a grande alegria que sente neste primeiro Dia das Mães com seu Murilo. O sorriso e o orgulho nas palavras escondem um problema do passado. Ela sofria de Síndrome do Pânico e ainda terminava um tratamento para, só então, se preparar para a maternidade. Porém, uma surpresa mudou o rumo dessa história. Durante o tratamento, Aline descobriu que já esperava um bebê e, portanto, precisou “trocar” seus medicamentos. Conforme a mãe, Murilo passou a ser seu remédio e, mais que isso, um grande presente surpresa. “Não tive nenhum sintoma ou crise durante a gravidez. Eu conversava e sentia a presença dele.Isso bastava para me sentir bem e não ter pensamentos negativos”, afirma.

Sonho do parto normal

O desejo de receber o filho com um parto normal, conforme Aline, surgiu logo nos primeiros momentos da gestação, porém, a rejeição da ideia pela família e a falta de incentivo dos médicos, fizeram com que o caminho até a concretização dessa vontade fosse longo. Com o auxílio das profissionais da Inanna Apoio Materno, que conheceu ao escutar uma entrevista sobre o assunto no rádio, ela aceitou seu próprio desafio e se preparou para concretizá-lo da melhor maneira possível. O que, aos olhos de amigos e familiares, parecia uma loucura e um ato de pura coragem, segundo Aline foi apenas uma forma de tentar transformar a chegada do Murilo ao mundo um momento mais natural e bonito possível.

Síndrome vista com outros olhos

Aproveitando e vivendo um dia de cada vez, a família, que agora tem mais um integrante, se mostra feliz e completamente realizada. A Síndrome de Down, diferentemente da forma como foi apresentada aos pais, não é mais vista com terror. “No primeiro momento as pessoas tratavam somente como patologia. Poxa, do jeito que recebemos a notícia parecia que seria uma criança que só traria trabalho. Hoje temos certeza ao dizer que ele é perfeito para nós. É maravilhoso. Lindo. E tivemos essa certeza desde o momento em que o vimos pela primeira vez”, afirma.

Apesar de completamente amado e bem-vindo na família, a mãe sabe que Murilo poderá sofrer preconceitos na sociedade e isso causa preocupação, porém o sentimento de proteção é ainda maior. “Claro que pensamos em como ele será aceito ou não socialmente. Mas no fundo ninguém sabe do futuro de seus filhos. Nós também não sabemos, mas só temos a certeza de que buscaremos tudo o que ele precisar para se desenvolver e viver bem. Só isso. É simples: queremos o bem dele”, completa.

Parto humanizado e acompanhamento materno são realizações para Aline

A realização de um parto normal, de acordo Aline, só foi possível por conta do apoio das profissionais Fernanda Cláudio, enfermeira, e Francielle Silvano Cardozo,fisioterapeuta uroginecológica, da Inanna Apoio Materno. Com o auxílio das profissionais, que se tornaram grandes amigas, Aline não cansa de afirmar que teve a oportunidade de renascer com o filho. Para ela, o parto normal e toda a emoção e descargas hormonais trazidas com ele, foram uma oportunidade de autocura e autoconhecimento. “Foi um momento maravilhoso. Mesmo com a dor, eu não senti medo. Eu sabia o que estava acontecendo comigo e com ele. Confiava no trabalho dos profissionais que estavam comigo. Conversei com meu filho. Disse que poderia vir e ele veio. Não tem explicação o que eu vivi. Que bom ter tido essa oportunidade”, comentou com os olhos brilhantes.

De acordo com a enfermeira Fernanda, o reflexo de todo o acompanhamento feito de forma domiciliar, trabalhando aspectos físicos do pai e da mãe, além de conhecimento e preparação do corpo para o parto, pode ser visto no comportamento de Murilo. “Desde o primeiro banho, até o contato da amamentação e o próprio nascimento, são questões decisivas para a criança e para a mãe. Hoje ele é um bebê saudável, que mama no peito e é super bem desenvolvido. Se não fosse a preparação dessa mãe, ele provavelmente seria diferente”, afirma. Para a fisioterapeuta Francielle, o parto é parte integrante da sexualidade, porém os mitos e a falta de informação fazem com que seja tão temido. “Não precisa de coragem. Precisa de informação. Quem conhece as vantagens para a mãe e para o filho, não tem dúvidas na escolha”, completa.

Ajuda para enfrentar a insegurança

O trabalho antes, durante e depois do parto ajudaram Aline a enfrentar as dúvidas e inseguranças da primeira gestação, além de ajudar no desenvolvimento de Murilo após o nascimento. “Elas me apoiaram a criar novamente o vínculo dele comigo após ficar alguns dias na câmara de luz. O pós-parto foi muito difícil por conta de todos os sentimentos que vem a tona, mas com apoio do meu marido e das meninas do Inanna eu superei e hoje sou muito feliz com meu filho amado”, acrescenta.

A assistência domiciliar oferecida caracteriza-se como um pré-natal complementar ao realizado com o médico obstetra. Trabalhos posteriores como banhos humanizados, assistência de profissionais de psicologia e fonoaudiologia também tranquilizaram a mãe, que hoje se emociona ao lembrar da realização e faz questão de indicar a experiência para todas as mulheres.

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Fonte: Jornal A Tribuna

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