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Síndrome de Down: novo tratamento pode melhorar memória e aprendizado

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Cientistas testaram com sucesso em camundongos uma substância que melhora significativamente a capacidade cognitiva de animais com condição similar à síndrome de Down. Pessoas com essa condição tem um cerebelo com 60% do tamanho de uma pessoa comum. Com o tratamento, feito em camundongos recém-nascidos, o corpo “compensou” o crescimento dessa estrutura nos meses seguintes.

“Nós temos estudado o problema de por que o cerebelo – uma parte específica do cérebro – é muito menor em pessoas com síndrome de Down por cerca de 15 anos. Nós mostramos que modelos camundongos com a síndrome são afetados de maneira muito similar a pessoas com Down”, diz ao Terra Roger Reeves, professor da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos).

O mais surpreendente ocorreu depois. Os cientistas observaram uma melhora cognitiva no modelo animal – ao serem testados em labirintos, os camundongos tiveram melhora no aprendizado e na memória (conforme repetiam o teste, mais eles se lembravam do caminho certo), capacidades que pessoas com a síndrome de Down costumam ter comprometidas. Contudo, essas habilidades são geralmente controladas por outra estrutura neurológica, o hipocampo, e não o cerebelo.

“Provavelmente há uma relação íntima do desenvolvimento hipocampal a partir do desenvolvimento cerebelar (…) Isso é uma grande novidade. A gente sabia que existiam as duas coisas: uma função hipocampal comprometida e uma hipoplasia cerebelar, mas não tínhamos este link, que abre a possibilidade de interpretar e estudar de uma forma mais profunda essa relação”, diz Zan Mustacchi, médico geneticista e um dos maiores especialistas do Brasil em Síndrome de Down e que não teve relação com o estudo. Para Mustacchi, se isso for confirmado, o estudo americano pode ter descoberto uma relação entre cerebelo e hipocampo – inclusive em pessoas sem a síndrome – que antes não conhecíamos. Mas isso ainda não é conclusivo, alertam os cientistas.

“Nós não sabemos se a melhora foi causada por uma melhor comunicação entre o cerebelo e o hipocampo ou foi efeito direto duradouro da exposição única do hipocampo à SAG. Nenhuma dessas (possibilidades) foi proposta antes. Esta é a grande pergunta que precisaremos responder”, diz Reeves.

Questionado sobre se o grupo observou algum efeito colateral nos animais que passaram pelo tratamento, Reeves diz que não. “Mas o estudo não foi desenvolvido para detectá-los. O que nós fizemos agora é saber que há uma potencial aplicação clínica.”

No artigo, contudo, os pesquisadores antecipam um medo quanto ao tratamento: a possibilidade de que ele aumente o risco de surgimento de meduloblastoma, um tipo de câncer do cerebelo e que atinge principalmente crianças.

“Esse é um mecanismo que gera uma atividade mitótica (divisão celular)”, diz Mustacchi. “Um efeito mitogênico é potencialmente oncogênico (…) que gera o aumento do risco de tumores”. Em outras palavras, como as células se dividem mais, há o risco de uma dessas células sofrer uma mutação e dar origem a um tumor.

Os cientistas destacam, contudo, que esse tumor é apenas preventivo, já que não foram detectados tumores em nenhum animal.

Fonte: Terra

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