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Entenda como identificar os sintomas, tratar e apoiar a criança autista

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Muito mais comum do que parece, o autismo é uma disfunção do desenvolvimento, que, hoje em dia, pode ser identificado antes dos dois anos de idade. O assunto voltou à tona por conta da personagem Linda, vivida pela atriz Bruna Linzmeyer na novela “Amor à Vida”, e levanta questões delicadas e importantes, como saber lidar com o autista e tratá-lo com respeito e dignidade. A psicóloga Arlene Maria Coelho Chaves, especialista em Psicologia Clínica Infantil e do Adolescente, esclareceu o os principais pontos sobre essa alteração.

O que é

O autismo é um transtorno que acomete principalmente meninos, antes dos três anos de idade, e que se caracteriza por disfunções na comunicação, na interatividade social e no comportamento. A intensidade dos sintomas varia de acordo com as alterações em cada área (campo) afetada (interatividade, comunicação, e comportamento) e servirão para determinar o tipo e a necessidade de atenção adequada (tratamento específico). Por isso existe a necessidade do diagnóstico precoce e até mesmo do diagnóstico correto sobre o transtorno, visto que existem algumas doenças ou distúrbios neurológicos e psiquiátricos que apresentam características (sinais e sintomas) de autismo, sem serem. É de extrema importância que os pais não se desesperem ao identificarem o autismo em seus filhos. “É necessário pegar todas as informação a respeito do transtorno, fazer um diagnóstico precoce e as intervenções adequadas. A participação em associações organizadas para este fim também pode ser de grande ajuda”, explica Arlene.

Principais características

O Autismo é diagnosticado segundo critérios qualitativos e quantitativos, presentes nas características apresentadas pela criança em uma ou mesmo nas três áreas de alterações (comunicação x interatividade x comportamento).

Na área da comunicação: desordens da fala, ausência ou atraso da fala, ecolalia atual ou atrasada (repetição das últimas palavras ou expressões ouvidas, letras ou falas), dificuldade na compreensão literal da frase, linguagem repetitiva com mesma entonação, ausência de sentimentos ao expressar frases ou linguagens.

Na área da interação social: prejuízo acentuado no uso de comportamentos não verbais, no contato visual, nas expressões visuais e nas posturas corporais. Dificuldade para estabelecer relacionamentos com seus pares (outras crianças), o que pode levar ao isolamento social. Dificuldade na expressão ou compartilhamento de afeto, prazer, interesses ou realizações com outras pessoas.

Na área do comportamento interesses e atividades: comportamento restrito e estereotipado, interesses persistentes em objetos ou partes do objeto, rotinas e rituais realizados de uma única forma, comportamentos de autoagressão em casos de ansiedade ou situações críticas, (nos casos e formas mais graves de autismo). Habilidades especiais com números, nomes, dados, objetos e etc., o que não significa alta capacidade intelectual.

Aceitação, acima de tudo

Qualquer que seja a gravidade dos sintomas, assim como a evolução do autismo, alguns passos básicos no diagnóstico devem ser seguidos, como identificar quais os comportamentos em um texto bem explicativo. Lidar com uma criança autista compreende, entre outros, dois aspectos fundamentais: diagnóstico precoce seguido de um plano de intervenção geral e específico àquela criança e aceitação dos pais. “Iniciando pela aceitação dos pais é importante considerar que qualquer que seja o problema identificado em uma criança desde seu nascimento até a idade do aparecimento, mesmo aqueles problemas temporários ou pontuais, temos que atentar para as implicações com relações a história material e emocional desses pais e consequentemente dessa família”, ressalta a psicóloga.

Do ponto de vista material o tratamento para crianças autistas compreende a participação de vários e diferentes profissionais, dependendo de cada caso, de uma equipe multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, visando dar um suporte às necessidades da criança (de acordo com os déficits diagnosticados), à família, entendendo todo o contexto geral e individualizado (pai, mãe, irmãos, avós, etc.), para que estes possam colaborar e participar ativamente do tratamento.

Desempenha papel fundamental na sociabilidade e integração da criança, a relação entre família e escola. Arlene esclarece que “assim também como qualquer criança, comportamentos de confiança e segurança resultam das atitudes das pessoas que participam da vida dessas crianças, até porque cuidado excessivo, seja com qualquer criança, e nesse caso com uma criança autista, promove comportamentos de dependência, insegurança, contribuindo para discriminação. Com relação à independência a conduta é seguir as orientações dos profissionais que trabalham com as crianças, no caso da novela, com o personagem”.

Como lidar

A dificuldade de aceitação do diagnóstico por parte da família ou mesmo de alguns membros, desordens psicoemocionais da família, como por exemplo, esconder a criança e principalmente cria-la como incapaz, não contribui para sua independência e autonomia e podem agravar consideravelmente o autismo. O desempenho de atividades comuns como namorar, passear, trabalhar e etc., vai depender do tipo de autismo, ou seja, do grau de comprometimento das desordens, quanto menor o acometimento, melhor o desenvolvimento e principalmente, quanto mais precoce ter sido o diagnóstico das desordens e mais cedo tenha sido instituído o tratamento, melhor a recuperação, a integração, a socialização da criança autista, que irá se tornar um adulto com habilidades mais próximas das habituais.

Ao notar os comportamentos citados anteriormente, os pais devem dirigir-se aos postos de saúde especializados e falar com os profissionais da área.

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