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OS TATAMES DA INCLUSÃO SOCIAL

Núcleo de judô do Projeto Rio 2016 atende portadores de necessidades especiais e ainda serve de local de treinamento para bolsa-atletas surdos

 

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 Deficientes auditivos e ouvintes juntos na mesma aula: troca de experiências / Fotos: Marcelo Santos

 

Mais do que promover a prática do exercício físico, as técnicas do judô ajudam na inclusão social entre crianças e jovens. Realizadas no 2º Batalhão da Polícia Militar, em Botafogo, as aulas fazem parte do núcleo do Projeto Rio 2016 e reúnem deficientes auditivos, ouvintes e alunos com outros tipos de deficiência. Ao todo, são cerca de 100 alunos, divididos em duas faixas etárias: 7 a 12 anos e a partir dos 13 anos.

Claudio Vinícius Ferreira tem 13 anos e é deficiente auditivo. Em 2000, quando ele tinha 11 meses de vida, mãe e filho foram atropelados por um ônibus. Mas só depois de dois anos é que se descobriu que Claudio havia ficado surdo devido ao impacto da batida.

– Foi uma vizinha minha que percebeu que ele não escutava direito. Mas só fui saber mesmo quando ele estava com mais de 2 anos e não conseguia falar as palavras – conta Tânia Gonçalves Ferreira, de 33 anos, mãe de Claudio.

Tânia conta que o filho ficava muito nervoso por não conseguir se comunicar com as pessoas, o que o tornava agressivo e impaciente. Ao saber que o professor do núcleo conhecia a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), não teve dúvida: matriculou Claudio no judô.

– Hoje, o Claudio está mais calmo e mais obediente. Até mesmo a professora da escola dele disse que o desenvolvimento é outro depois que ele entrou no judô. Ele mudou e pra melhor. – afirma Tânia, que também destaca a convivência com as outras crianças como uma forma de estimular a vida social do filho.

Segundo a mãe de Claudio Vinícius Ferreira, o desenvolvimento do menino na escola melhorou depois dele ter entrado no judô

Lucas Lins vai começar o quinto ano na escola e é um dos mais novos da turma com 10 anos. Ele não apresenta nenhuma deficiência e interage bem com os colegas de quimono, mostrando que o esporte supera qualquer preconceito.

– Aqui eu treino minhas habilidades e faço muitos amigos – diz o menino, que tem um irmão gêmeo, Gabriel Lins, que também pratica a arte marcial no local.

O pai dos meninos, Marcelo Lins, de 57 anos, conta que os filhos eram muito agitados. E que o esporte veio em uma boa hora.

– O judô é fantástico nesta parte da disciplina. Meus filhos estão naquela idade que a criança fica agitada mesmo, fica querendo gastar energia. E, além disso, aqui eles têm esse contato com os surdos e aprendem a respeitar as diferenças desde pequenos. Quando chegam em casa, eles mostram os “sinais com as mãos” que aprenderam na aula. – afirma Marcelo.

Guilherme Martins de Andrade tem 23 anos e síndrome de Down. Ele superou a dificuldade em se comunicar e, agora, consegue se expressar através dos sinais aprendidos com os deficientes auditivos.

– Meu filho tinha medo de tudo, não tinha ação de fazer nada, era paradão mesmo. Agora ele está mais ativo, até brinca comigo. Quando fala que é para ir pro judô, ele já pega o kimono e sai andando, todo feliz. – orgulha-se o pai, Jorge Santana de Andrade, de 59 anos.

 

 O núcleo de judô recebe, além de deficiente auditivos, portadores de necessidades especiais, como Guilherme Martins de Andrade, com síndrome de Down

Maicon Stevan Pereira dos Santos, de 19 anos, fez questão de aprender LIBRAS para melhor se comunicar com os colegas do judô. O jovem afirma que não é difícil “falar com as mãos”.

– Isso diminui o preconceito. No ônibus, por exemplo, eles ficavam sem entender nada que as pessoas falavam. Agora eu posso ajudar no entendimento, traduzir as coisas para eles. Sirvo como se fosse um intérprete para eles. Somos amigos. – destaca Maicon, que é ouvinte.

Eduardo Duarte, faixa preta e professor de educação física, é quem ministra as aulas de judô no núcleo. Em 2004, ele criou o projeto Valorizando as Diferenças (AVD), que integra o programa Rio 2016.

– O esporte é uma forma de inclusão social. E o judô vem de forma a agregar esta filosofia do respeito e da disciplina. Formamos mais que atletas. Formamos cidadãos com valores. – afirma Eduardo.

O dojô (área de treinamento de judocas) fica em Botafogo, mas atrai moradores do Catumbi, Copacabana e até da Ilha do Governador. O local também serve para o treinamento dos cinco bolsa-atletas apoiados pelo Governo do Estado. No mês de fevereiro, acontecerá uma seletiva, em São Paulo, para definir quem serão os representantes brasileiros para a Surdolimpíada 2013, que será realizada no meio do ano, na Bulgária.

 

Cerca de 100 alunos praticam a arte marcial no núcleo, entre eles, cinco bolsa-atletas do Governo do Estado do Rio

O projeto Rio 2016 é um programa sócio-esportivo da Secretária de Estado de Esporte e Lazer e atende cerca de 200 mil pessoas em mais de 700 núcleos espalhados pelo estado. O judô está presente em 40 núcleos.

Fonte: rj.gov.br

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