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App gratuito faz tradução simultânea do português para a língua de sinais

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Desenvolvido por três jovens de Alagoas, aplicativo inovador gratuito facilita a comunicação de milhões de deficientes auditivos que vivem no Brasil. Lançada em julho de 2013, a ferramenta foi eleita pela ONU como “melhor aplicativo de inclusão social do mundo” daquele ano.

Dados do IBGE mostram que o Brasil é lar de cerca de 10 milhões de deficientes auditivos, que, em sua maioria, não entendem a língua escrita e falada do país. Romper a barreira que existe na comunicação entre surdos e ouvintes é o objetivo do aplicativo Hand Talk. A ferramenta traduz, em tempo real, mensagens do português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), contribuindo para a inclusão social dos deficientes auditivos.

O aplicativo pode ser baixado de forma gratuita em tablets e smartphones. Funciona de maneira bem simples: o usuário digita frases de até 140 caracteres ou grava mensagens de áudio e, automaticamente, a tradução é feita por Hugo, personagem animado em 3D, criado exclusivamente para ser o tradutor do Hand Talk.

Com a nova tecnologia, os deficientes auditivos conseguem, ainda, ler livros, revistas e até placas de informação escritos em português. Basta tirar uma foto dos dizeres que o aplicativo traduz na hora para a língua de sinais.

Lançado em julho de 2013, o Hand Talk faz sucesso. São mais de 250 mil downloads, em todos os estados do Brasil, e mais de 25 milhões de traduções feitas. Internacionalmente, a ferramenta já começou a ser reconhecida antes mesmo de ser lançada. Em fevereiro do ano passado, recebeu o prêmio WSA-Mobile, da ONU (Organização das Nações Unidas), sendo considerada o “melhor aplicativo de inclusão social do mundo”.

Mergulho num universo desconhecido

Por trás do Hand Talk estão os alagoanos Carlos Wanderlan, 32, Ronaldo Tenório, 28, e Thadeu Luz, 31, que, até se unirem para desenvolver o aplicativo, não sabiam absolutamente nada a respeito do universo dos surdos. “Eu passei a conhecer a comunidade surda após a ideia de criar o aplicativo” conta Ronaldo.

A ideia do projeto foi dele e surgiu durante uma aula na faculdade de publicidade. O professor de comunicação social pediu que a turma desenvolvesse um produto. Ronaldo começou, então, a pesquisar sobre o tema e deparou com um mercado extremamente inexplorado de tecnologias que promovessem a acessibilidade de deficientes auditivos.

Quatro anos depois, ele encontrou no amigo Carlos, programador autodidata, um parceiro para criar o aplicativo. Juntos, os dois buscaram a ajuda de Thadeu, arquiteto e especialista em animação 3D, e o trio de fundadores do Hand Talk estava finalmente formado.

Aos 45 minutos do segundo tempo

O embrião do Hand Talk foi apresentado ao público pela primeira vez em agosto de 2012, durante um desafio de startups promovido em Alagoas. “Na semana da apresentação, trabalhei cinco dias direto. Dormi só umas duas horas”, conta Carlos, o mais inquieto do trio. O protótipo ficou pronto uma hora antes de ser apresentado, mas deu certo. O projeto foi premiado, e eles levaram para casa o investimento que precisavam para começar a desenvolver o app.

Dois anos depois, o negócio social contava com estrutura bem definida. A equipe é formada por sete pessoas, entre elas, Jamilly Souza, jovem surda de 28 anos. Ela é filha de Jane Souza, psicóloga pioneira no ensino de Libras em Maceió. Para tentar diminuir a exclusão social da filha, Jane chegou a abrir a primeira escola para surdos da cidade. “Toda vez que penso na história de Jamilly e Jane, vejo como é crucial que a gente consiga fazer um produto bom”, diz Thadeu.

A estratégia dos empreendedores sociais para crescer cada vez mais é gerar renda a partir da prestação de serviços para empresas ‒ como planejamento da acessibilidade para surdos em totens em eventos e ferramenta para tradução de sites. Mais de 800 sites já compraram a tecnologia do Hand Talk e, com ela, se transformaram em plataformas acessíveis.

Diversidade e área educativa

Para 2015, o grupo planeja altos voos: levar o aplicativo aos Estados Unidos, desenvolver uma versão feminina de Hugo (para promover a diversidade), e aumentar a participação da empresa no setor de educação. “O MEC já aprovou a distribuição de mais de 600 mil tablets com o software do Hand Talk para professores de escolas públicas do Brasil”, comemora Ronaldo.

Pelo trabalho, o trio venceu a edição 2014 do Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro. Realizada pela Folha de S. Paulo, a premiação reconhece e promove talentos sociais, entre 18 e 35 anos, que empreendem de forma inovadora na sociedade há no mínimo 12 meses e, no máximo, 36.

Além desse importante reconhecimento, o Hand Talk foi selecionado como uma das 16 startups mais inovadoras da América Latina pelo Prêmio Demand Solutions, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os fundadores também foram premiados, com o terceiro lugar, no Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web (Todos@Web).

Fonte: .inteligemcia.com.br